Em queda livre depois do ápice

Com diferença, 2015-16 certamente representou a melhor temporada no futebol mexicano nesta década. Sem ir mais longe, se tratou do ano de autêntico esplendor de um finalista da Copa Libertadores da América naquela mesma época como o Tigres UANL, de uma campanha marcada por grandíssimas equipes em clubes como Toluca, Pumas UNAM, Monterrey, Club León e Santos Laguna, de projetos repletos de riqueza e jogadores de excelente nível em conjuntos mais humildes como Jaguares de Chiapas, Veracruz, Puebla e Monarcas Morélia, de uma boa versão do Club América e o primeiro passo do projeto do jovem treinador argentino Matías “Pelado” Almeyda que terminaria com o título do Clausura 2017 no Chivas Guadalajara. Dentro deste cenário de máxima exigência, o Pachuca alcançou um nível espetacular ao ponto de vencer um dos dois torneios da Liga MX na decisão contra uma potência como os Rayados.

Se tratou do semestre com o nível mais alto dos Tuzos desde a chegada do inexperiente comandante uruguaio Diego Alonso ao conjunto em janeiro de 2015. Naqueles seis meses, o time do estádio Hidalgo foi uma autêntica maravilha. Sempre com a intenção de elaborar seus ataques desde os primeiros passes, dominar a posse de bola e atacar em um ritmo alto, o funcionamento ofensivo do Pachuca foi perfeito e repercutiu em sua solidez defensiva. Porém, após a milagrosa conquista com um gol do suplente Víctor Guzmán no último minuto em Monterrey, a equipe entrou em uma paulatina queda que, sem ir mais longe, resultou em sua ausência na disputa final pelo título do Clausura 2017 e acabou com sua eliminação com uma rodada de antecedência no Apertura 2017 depois de uma campanha francamente negativa nas semanas prévias à sua viajem aos Emirados Árabes Unidos para a disputa o Mundial de Clubes.

Em meio aos fracassos na Liga MX ao longo deste ano, o Pachuca conseguiu conquistar a Liga dos Campeões da Concacaf na final diante do Tigres, se tornando o representante da região no torneio global que será realizado no próximo mês de dezembro. Porém, voltando aos motivos da queda dos Tuzos, o primeiro fator esteve relacionado com a participação do México nos Jogos Olímpicos disputados no Rio de Janeiro, algo que fez com que peças fundamentais como os meio-campistas Erick Gutiérrez e Rodolfo Pizarro e o extremo-esquerdo Hirving Lozano perdessem várias rodadas do Apertura 2016. Ainda assim, os comandados de Diego Alonso foram capazes alcançar um lugar na Liguilla. O problema foi que Pizarro chegou ao duelo de quartas-de-final contra o Necaxa às pressas depois de recuperar-se de uma grave lesão e Gutiérrez diretamente não jogou as duas partidas por conta de problemas físicos.

Sem as duas principais engrenagens de seu funcionamento ofensivo, o Pachuca foi eliminado pela equipe revelação daquele torneio. Porém, as notícias negativas para os Tuzos não pararam por aí: por um preço recorde, Rodolfo abandonou o clube para reforçar o Chivas, onde terminaria sendo uma peça decisiva para a conquista do primeiro título do conjunto de Guadalajara na Liga MX em mais de 10 anos logo em seu primeiro semestre. Em geral, Pizarro representava a mobilidade entre linhas a partir da posição de mediapunta que permitia que Erick massacrasse os rivais com seus passes verticais desde a base da jogada, com os dois criando uma relação direta sobre o terreno de jogo. Sem os movimentos de Rodolfo tanto para receber de Gutiérrez como para ativar o mesmo de cara já em campo contrário, o time de Alonso perdeu muitíssima fluidez ofensiva, algo que claramente diminuiu a ameaça de seu ataque.

Sem ir mais longe, o atacante argentino Franco Jara viu grande parte de sua influência dentro dos jogos se diluir e Erick Gutiérrez deixou de contar com as duas principais individualidades responsáveis por oferecer continuidade em terreno inimigo aos seus passes (o mesmo Jara e o próprio Rodolfo Pizarro). Outra consequência direta de tudo isto foi sentida na hora de defender. Com uma clara vocação defensiva, o Pachuca contava com as vantagens táticas previamente estabelecidas por sua posse de bola para ativar um agressivo trabalho de pressão alta que muitas vezes deixou os adversários sem saída já que era impossível ganhar uma disputa corporal contra os zagueiros Omar González e Óscar Murillo através de ligações diretas. Estes fatores resultaram na eliminação ainda durante a fase regular do torneio Clausura deste ano, sendo que as notícias negativas seguiram surgindo nos arredores do estádio Hidalgo.

Primeiramente, Hirving Lozano finalmente concretizou sua saída com destino ao futebol europeu, sendo que seu substituto, o chileno Edson Puch, está enfrentando muitos problemas físicos em seu primeiro semestre no clube. Ademais, o Monterrey recuperou o lateral-direito colombiano John Stefan Medina, que estava por empréstimo no Pachuca, onde havia representado um pilar defensivo e um argumento em saída de bola através de seu brutal entendimento do jogo. Neste ponto, os Tuzos buscaram suprir as baixas com as contratações de avançados como Keisuke Honda e Ángelo Sagal. Dentro disto, por mais que o japonês e o Andino tenham somado de maneira pontual nos metros finais, o time nunca conseguiu estabelecer novas bases táticas ou recuperar as antigas que possibilitassem uma linha continua em suas atuações, com a eliminação com uma rodada de antecedência no Apertura 2017 não surpreendendo.

Entre tantas sensações negativas, um jogador autossuficiente como o extremo-direito uruguaio Jonathan Urretaviscaya segue produzindo (nove assistências em 14 aparições na Liga MX), o internacional japonês está demonstrando que sua perna esquerda pode marcar diferenças no futebol mexicano, o colombiano Óscar Murillo continua representando uma rocha no centro da defesa e o meio-campista Víctor Guzmán está vivendo sua explosão goleadora atuando como mediapunta desde que Diego Alonso alterou suas funções sobre o terreno, com o jovem mexicano compensando sua nula participação na circulação ofensiva da equipe com chegadas desde segunda linha que já resultaram em oito anotações em 15 jogos do torneio. Há menos de um mês para sua estreia no Mundial contra os marroquinos do Wydad Casablanca, o Pachuca segue vivo na Copa MX. Será sua última possibilidade de preparação.

FOTO: CF Pachuca

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