Sem Djaniny e Jonathan

No início deste ano, o Santos Laguna representou uma das equipes que melhores sensações vinha transmitindo dentro do torneio Clausura 2017 da Liga MX. Ao final, se tratava de um conjunto com uma ideia bem definida pelo treinador José Manuel “Chepo” de la Torre (pressão em campo rival e transições verticais, tudo com muitíssimo ritmo) e com jogadores capazes de ganhar jogos dentro do cenário do futebol mexicano. Entretanto, depois de apresentar certas dificuldades para transformar suas superioridades nos duelos em vantagens no marcador, os Guerreros acabaram eliminados para o Toluca logo nas quartas-de-final da fase de mata-mata pelo título. De qualquer maneira, inclusive a partida de volta contra os mesmos Diablos Rojos, na qual o time gerou ocasiões para reverter o 1-4 adverso da ida, demonstrou que havia uma linha a seguir.

O caso está em que o clube de Torreón não vem sendo capaz de repetir o futebol apresentando há alguns meses, algo que fica comprovado na comparação numérica. Depois de oito rodadas do torneio Apertura 2017, o Santos soma oito pontos conquistados e ocupa a 14ª colocação na classificação. São quatro unidades a menos que as somadas durante a mesma quantidade de jogos no primeiro semestre deste ano, com a equipe situando-se sete lugares abaixo na tabela. Dentro deste cenário, um fator está chamado a atenção e merece destaque: o baixo nível oferecido pelos avançados Djaniny Tavares e Jonathan Rodríguez. Se, juntos, o cabo-verdiano e o uruguaio haviam produzido diretamente sete gols nos primeiros oito duelos da campanha anterior, até o momento ambos não estiveram envolvidos em nenhuma anotação do time na nova temporada.

Sem uma boa versão de Djaniny e Jonathan, boa parte do sistema tático dos Laguneros perde sentido. Por mais que os comandados de “Chepo” de la Torre sigam sendo capazes de alcançar o campo rival através de saídas direitas buscando o atacante argentino Julio César Furch para, posteriormente, ativar sua intensa pressão alta, simplesmente falta a qualidade diferencial de seus jogadores mais desequilibrantes na hora de produzir ocasiões de gol. Porque, basicamente, o sistema ofensivo do Santos é o mais simples possível: tudo nasce a partir de recuperações em boa altura ou passes longos para o antigo jogador do Belgrano sendo seguidos por muitíssima verticalidade em transição por parte seus jogadores mais avançados com pouquíssima elaboração ou trocas de passes. Se Tavares e Rodríguez não produzem por conta própria, sobra muito pouco.

Tanto que, por exemplo, na partida contra o mesmo Toluca neste domingo, o jogador mais perigoso do Santos Laguna acabou sendo o meio-campista Diego de Buen, que atuou como mediocentro do 4-3-3 local durante os primeiros 68 minutos antes de assumir as funções de interior com seu treinador buscando justamente aproximá-lo da área rival, onde seu grande remate de média distância pudesse alcançar o 1-0. Por mais que De Buen tenha se empenhado, chegando a acertar a trave, terminou sendo bastante pouco para um conjunto que somou 24 remates ao final da partida, mas produziu pouquíssimas ocasiões reais de gol. Em definitiva, caso siga sem contar com uma boa versão do cabo-verdiano e/ou do uruguaio, as coisas se complicam bastante para José Manuel pensando que o objetivo do clube é terminar entre os oito primeiros para disputar a fase final.

FOTO: Club Santos Laguna

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