Pequenas mudanças

A chegada do veterano treinador Levir Culpi ao Santos em junho deste ano gerou algumas dúvidas em um primeiro momento tendo em vista que, após um bom trabalho no Atlético Mineiro, sua passagem no Fluminense acabou deixando vários “poréns” e não se trata de um profissional reconhecido por ter métodos inovadores. Entretanto, mesmo não apresentando um futebol totalmente convincente ou completo, a equipe dirigida pelo paranaense de 64 anos já possui uma cara e, a partir disto, o Peixe vai se mostrando como mínimo competitivo, algo que não se pode dizer dos últimos meses sob o comando Dorival Júnior. Em termos de proposta de jogo, o sistema reconhecido por trabalhar bastante a posse de bola até chegar ao último terço do gramado para então acelerar se tornou algo muito mais vertical e direto. Recuando suas linhas de marcação, o Santos de Levir não se incomoda em logos passar períodos maiores sem o esférico.

Por um lado, isto muitas vezes acaba propiciando que os adversários sofram menos pressão sobre o portador da bola e contem com mais tempo para realizar suas ações em campo próprio. Entanto, o conjunto da Vila Belmiro possui uma capacidade de desequilíbrio individual após a recuperação como poucos times Brasil. Com o extremo-esquerdo Bruno Henrique sendo a grande válvula de escape da equipe, o jogador de 26 anos representa o maior símbolo deste jogo mais reativo, ganhando muitos metros em condução e ainda oferecendo presença ofensiva para marcar seus gols (são 14 em 41 partidas no ano). Com o Santos apresentando este estilo mais vertical, naturalmente os duelos envolvendo o Alvinegro muitas vezes ganham um caráter de velocidade com constantes trocas de golpes, obrigando que sua defesa fique exposta em alguns momentos e o excelente goleiro Vanderlei tenha que realizar suas excelentes intervenções.

Porém, também se engana quem pensa que o time se resume a contra-atacar. Em diversos momentos, quando busca trabalhar mais a bola desde seu campo de defesa, ainda se percebem algumas características da época de Dorival. O meia-atacante Lucas Lima, por exemplo, circula por todo o terreno rival e cai muito pelos lados para garantir fluidez ao conjunto, ligando de forma limpa as demais peças ofensivas da equipe e sendo outra referência técnica no plantel. Além disto, muitas vezes nota-se um jogo apoiado pelos lados com muitas projeções dos laterais, principalmente pelo lado direito com Victor Ferraz. Se o Peixe não é mais aquele coletivo envolvente dos tempos do Dorival, ao menos o clube encontrou um jeito de manter a competitividade e explorar bem as qualidades de seus jogadores. Prova disto foi vista neste domingo, quando o Santos foi o responsável pela primeira derrota do líder Corinthians fora de casa.

FOTO: Santos Futebol Clube

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*