Continuidade para o sofrimento

O treinador Markus Gisdol assumiu a direção do Hamburgo há pouco menos de um ano depois de um péssimo início do clube no Campeonato Alemão com quatro derrotas e um empate nas cinco primeiras rodadas sob o comando de Bruno Labbadia. Desde então, o antigo técnico do Hoffenheim conseguiu o objetivo de manter o Dino na elite nacional apesar do brutal sofrimento nas últimas partidas da temporada passada. O caso é que a equipe de Gisdol nunca jogou realmente bem em nenhum sentido. Enquanto esteve imerso na briga pela salvação, podia-se entender a simplicidade tática do conjunto por conta do lógico medo do rebaixamento. Entretanto, as coisas não mudaram neste novo início de campanha mesmo com as vitórias conquistadas sobre Augsburgo e Colônia, com os problemas voltando a aparecer nesta sexta-feira, contra o RB Leipzig.

No Volksparkstadion, o Hamburgo completou apenas 56% de seus passes, com cada uma de suas tentativas ofensivas estando marcadas pela maior simplicidade possível: através de saídas diretas quando se tratou de uma iniciação nos primeiros metros do campo e por meio de transições verticais em caso de recuperação em altura média. Neste cenário, por mais que o ritmo elevadíssimo do conjunto da Red Bull tenha aberto algumas portas para os Rothosen que resultaram em ocasiões para marcar o 1-0, as sensações finais foram negativas. Em primeiro lugar, o time não conta com um atacante especialista em receber passes longos e, a partir disto, ativar seus companheiros de segunda linha. Neste ponto, o estadunidense Bobby Wood se trata de uma peça para realizar rupturas ao espaço. Porém, nem isto está trabalhado para ser aproveitado.

Outro nome que acaba sendo desaproveitado é Filip Kostic. O extremo-esquerdo sérvio representa uma individualidade com grande capacidade de condução e velocidade capaz de produzir praticamente por conta própria. O problema está em que não existem mecanismos desenhados para que a bola termine chegando em condições para o canhoto balcânico. Ao final, tudo do Hamburgo ofensivamente acontece de forma acidentada: uma perda do adversário em zona proibida que se torna um contra-ataque ou uma saída direta na qual a segunda jogada acaba nos pés de um integrante Dino. Acertando menos de 70% de suas tentativas de passes (66.7% na temporada passada e 59.9% na atual campanha) e sem rotas pré-definidas para chegar ao gol, será impossível evitar outro ano sem sofrimento na luta contra o rebaixamento. O drama parece que continuará.

FOTO: Hamburger SV

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