Lukaku apenas como fim

O sueco Zlatan Ibrahimovic sempre ilustrou a imagem de um centroavante que vai muito além dos puros gols marcados. Não que o ex-jogador do Barcelona seja um mau finalizador, algo prontamente desmentido pelo fato de Ibra ter anotado ao menos 15 gols em dez das últimas onze edições de ligas nacionais disputadas. Entretanto, sendo um anormal atacante global capaz de gerir toda a construção ofensiva de um time ao se afastar dos zagueiros adversários e se aproximar dos seus, o europeu carrega consigo alguns déficits menos presentes em outros goleadores. Talvez o principal deles seja a dificuldade em alcançar bons desmarques em profundidade, algo que torna Zlatan um futebolista bastante limitado em relação ao atleta que realmente é quando se trata de contra-ataques.

No campeonato dos contragolpes (nenhuma outra grande liga possui tantas trocas de agressão quanto a inglesa), ainda mais sendo treinado por José Mourinho, o cidadão de Malmö naturalmente se deparou com um dos maiores desafios da carreira. Torna-se impossível taxar sua passagem pelo Manchester United como fracassada por variados motivos, mas está claro que faltou algo. Sendo assim, após a saída de Ibrahimovic, o treinador português foi ao mercado em busca de certezas relacionadas ao seu modelo de jogo, que esteve bastante transparente na frutífera final da recém-terminada Liga Europa. Como a verdadeira elite mundial dos finalizadores simplesmente não se encontra disponível para negociações, os Red Devils buscaram a segurança no belga Romelu Lukaku.

Sem ir mais longe, o antigo striker do Everton marcou 15 dos seus 25 gols na última Premier League com apenas um toque na bola. Boa parte destes depois de ações em velocidade da equipe e tendo Romelu definindo ao se desmarcar às costas dos defensores. Dito isto, a discussão aqui não pode se referir a quem é o melhor jogador entre o jovem de 24 anos e o experiente de 35, pois o maior artilheiro da história do Paris Saint-Germain se encontra em um patamar totalmente superior e Lukaku ainda guarda limitantes sérios entre as quatro linhas. Porém, para o estilo buscado por Mourinho neste momento (principalmente se for levada em conta a Liga dos Campeões 2017-18), também não existe discordância que a opção foi bem pensada. Ao final, as cartas estão todas sobre a mesa para o esportista formado no Anderlecht se fixar no topo.

FOTO: Manchester United

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