Messi abriu o caminho

Após o clássico entre Barcelona e Espanyol no último sábado, o treinador Quique Sánchez Flores afirmou que as intenções de sua equipe passaram por utilizar o avançado Gerard Moreno sobre o zagueiro Gerard Pique em fase defensiva para, a partir disto, montar um sistema de ajudas defensivas que impedisse que os Blaugranas avançassem por seu lado direito, sempre consciente de que este caminho levaria o rival a encontrar o mediapunta argentino Lionel Messi nos metros finais, algo que possui uma ameaça incomparável dentro do cenário mundial. Dentro disto, os Periquitos competiram bem até o momento em que sofreram o primeiro gol. Porém, a desvantagem no marcador obrigou uma maior agressividade por parte do Espanyol, algo que ofereceu espaços para Messi e companhia, com o resultado final sendo uma goleada.

De maneira muito similar, foi isto que se viu sobre o terreno de jogo do Camp Nou nesta terça-feira, com Barcelona e Juventus inaugurando suas campanhas na nova edição da fase de grupos da Liga dos Campeões. Com o atacante argentino Gonzalo Higuaín focalizando seu trabalho defensivo sobre o mesmo Piqué e o jovem extremo-direito uruguaio Rodrigo Bentancur centralizando sua posição nos períodos sem a bola dos Bianconeri, claramente a intenção dos comandados de Massimiliano Allegri foi priorizar a proteção de seu lado esquerdo e da faixa central, obrigando que os Culés saíssem e atacassem por seu setor canhoto, algo que claramente não está nos planos do técnico Ernesto “Txingurri” Valverde. Sem a presença de um extremo natural neste costado, toda a responsabilidade ofensiva dos locais recaiu sobre Andrés Iniesta.

Gerard Piqué, Nélson Semedo e Ousmane Dembélé, zagueiro, lateral e extremo pela direita, respectivamente, somaram 79 passes durante o primeiro tempo. Samuel Umtiti, Jordi Alba e Andrés Iniesta, nas mesmas posições pela esquerda, alcançaram a marca de 140 tentativas neste período.

Por mais que o experiente interior tenha deixado algumas demonstrações de sua eterna qualidade, também se tratou de uma confirmação de que o capitão Blaugrana não atravessa um momento de forma capaz de compensar a desconexão das demais peças ofensivas do time. Como consequência, o Barcelona acabou se atascando em suas tentativas de ataque, algo que gerou recuperações seguidas por transições por parte da Juventus, que foi sempre liderada por uma versão construtora do mediocentro bósnio Miralem Pjanic. O problema para a Vecchia Signora esteve em que faltou maior velocidade ou acerto em peças como Bentancur, Higuaín, o mediapunta argentino Paulo Dybala e o extremo-esquerdo brasileiro Douglas Costa para que sua superioridade no jogo ao longo dos 45 minutos iniciais terminasse sendo refletida no marcador.

Ademais, para piorar as coisas, uma tentativa de pressão alta dos visitante que foi superada a partir da calma do goleiro alemão Marc-André ter Stegen com a bola nos pés terminou ativando Leo Messi, que demonstrou seu poder de decisão na entrada da área contrária com espaços. Indiretamente, o 1-0 sofrido acabou sendo fatal para a Juventus, que precisou aumentar a agressividade de sua proposta no retorno para o segundo tempo. Neste cenário, com o Barcelona demonstrando muita calma em saída de bola, algo característico destas primeiras semanas sob o comando de Valverde, quase sempre que o conjunto de Turim tentou adiantar suas linhas para conseguir uma recuperação em terreno rival a jogada acabou com os mandantes eliminando a tentativa de pressão antes de encontrar metros para correr em campo aberto.

Entre isto, os contra-ataques propriamente ditos concedidos pela Juventus depois de tentativas ofensivas e algumas recuperações alcançadas na metade contrária através da pressão pós-perda liderada pelo mediocentro Sergio Busquets, tudo sempre contando com Messi como protagonista na hora de realizar as cobranças, o Barcelona acabou alcançando a goleada definitiva. Transmitindo melhores sensações em vantagem no marcador do que antes de chegar ao primeiro gol, o projeto de Ernesto “Txingurri” Valverde segue somando resultados positivos e demonstrando que podemos estar perante um temporada histórica em termos goleadores deste Lionel Messi enfocado aos metros finais. Já são oito gols em seis duelos oficiais para o gênio argentino, isto sem considerar o número altíssimo de remates que acabaram parando nas traves.

FOTO: FC Barcelona

13 Comentários

  1. Não que faça muita diferença essa nomenclatura, mas vê o Barça de Valverde num 4-4-2 (Iniesta extremo-esquerdo + Suárez e Messi no ataque) ou num 4-3-3 “torto” (Suárez como espécie de falso extremo-esquerdo que encosta em Leo na diagonal)?

    Ademais, esse Barça obviamente está verde pela altura da temporada e é normal, mas hoje esteve no buraco até marcar o gol – como dito no artigo. Sem conseguir ativar Leo ou Dembélé em boas condições, não teve qualquer resposta por outra via e viu Jordi Alba perder sentido ofensivamente, fora Iniesta isolado sem opções úteis. Existe um norte, entretanto há um mundo até a estabilidade e esse resultado me soou muito exagerado.

    • Claramente é um sistema assimétrico. Se é para colocar em “números”, eu digo 4-4-2. Vejo Suárez na esquerda de forma muito mais pontual do que Iniesta. Em fase defensiva, por exemplo, o 4-4-2 fica bastante mais claro que o 4-3-3 por mais que na temporada passada o Barcelona já defendesse em 4-3-3 (mas isto acontecia porque o extremo-direito, Messi, não defendia).

      Em relação ao jogo… Taticamente Allegri esteve bem. A ideia de Valverde é fazer do direito o lado forte e a Juventus fez o Barcelona jogar pela esquerda até o 1-0. Em relação ao marcador final… Messi. Eu não mencionaria como “exagerado” o 3-0 final porque, com Leo, estava claro o que iria acontecer após o primeiro gol.

  2. Sobre a Juventus… como fazer do De Sciglio alguma coisa útil no ataque? ele não é rápido, não chega ao fundo, não pensa o jogo, tira o ritmo toda hora e só dá passes óbvios. E Ainda substitui o Dani Alves, que tinha várias coisas e decidia.

    • Para começar, o substituto de Daniel Alves deve ser Bernardeschi ou Douglas Costa. Vai ter mudança, mas em outra altura do campo e relacionado a outros quesitos. Nos duelos importantes o brasileiro sempre jogou no meio-campo.

      E, sobre De Sciglio, você fala como se o jogador fosse um inútil. Certamente para concretar esta contratação houve um trabalho de estudos que durou MESES. Certamente quem resolveu investir 12 milhões de euros viu meia dúzia de dezenas de jogos do cara com atenção apenas nele.

      Claro que está estagnado nos últimos tempos, mas quem jogou bem no Milan com continuidade desde que o próprio Allegri saiu do comando do time? Creio que, com o próprio Massimiliano, Mattia possui a oportunidade definitiva de explodir como um defensor confiável e como um lateral que pode contribuir ofensivamente com seus cruzamentos, especialmente ocupando o lado contrário ao de Mandzukic.

  3. Off-topic: me entristece bastante ver críticas aleatórias a um determinado jogador. “Tal cara é um lixo”. Um jogador que termina sendo contratado pela Juventus ou pelo Barcelona nunca será um inútil. JAMAIS. Porque, por mais que nós consideremos que conhecemos o futebol, dentro destes clubes existem dezenas de profissionais que sabem muito mais e trabalham incessantemente na análise de jogadores. O que pode acontecer é determinada peça não encaixar no sistema. Para colocar um exemplo: Mario Mandzukic. Seus primeiros meses na Juventus foram dramáticos. Era uma peça que simplesmente não somava para o jogo. Porém, depois que deixou de ser atacante para jogar como extremo-esquerdo, foi um jogador absolutamente capital para um finalista da Liga dos Campeões, com golaço e impacto na decisão incluído. No Barcelona também existem muitas peças que se encaixam nisto, a diferença é que seguem sem render em um sistema que segue e seguirá sendo distinto ao que atuavam em seus clubes anteriores.

    • Esse assunto pode render um artigo, hein? Haha Já aprendi bastante, lendo e discutindo com vocês, a respeitar jogadores que se encaixam na situação e ainda sofro pra ver as coisas com menos pirraça, preconceito e mais lucidez.

    • Não concordo exatamente. Digo, concordo quando é dito que é necessário analisar o contexto para analisar o jogador. Isso sim e com certeza. Mas é óbvio que existe vários erros de análise pelos clubes, contratando nomes que não encaixam no modelo (evidente que não vão comprar um Zé Ninguém sem qualquer qualidade, o erro de scout aqui está no encaixe dentro do estilo do time). Em condições normais, por exemplo, Paulo Henrique Ganso faz sentido num time do Sampaoli? Erro de scout, pois o natural aqui é não render e/ou levar muito tempo até render tudo.

      Seguindo a sua linha, não há erro de scout jamais e a situação fica bastante cômoda para os clubes.

      • “evidente que não vão comprar um Zé Ninguém sem qualquer qualidade, o erro de scout aqui está no encaixe dentro do estilo do time”. Isto claramente acontece, sim, como mencionei nos jogadores do Barcelona. O caso que me refiro é que um cara ruim nunca será contratado por um clube de elite.

        Sobre Ganso… Estou sendo bastante crítico com suas atuações porque estão sendo dramáticas. Mas claramente não se trata de um inútil. Cada partida sua conta com dois ou três toques de classe que possuem valor gol. Ou seja, joga porque é capaz de transformar uma jogada normal em ocasião.

        • Ganso não é inútil, claro. Nem foi o que eu disse ou quis dizer. Quando saiu do Brasil, por exemplo, era um dos melhores do continente. Mas soma o suficiente para o que subtrai do coletivo? Reage como deveria na pressão depois de perder a bola? Se torna um ponto positivo ou negativo no somatório geral? Pois Ganso apenas está sendo o que sempre foi (para o bem e para o mal), o que muda é o contexto ao seu redor – que vai fazê-lo jogar melhor ou pior. Tudo isso deveria ter sido visto lá atrás. Se o clube falha esse tipo de scout ou interpreta algo errado no encaixe futuro, merece a crítica.

          • O caso do Ganso foi um pedido do Sampaoli, não? Que tinha uma ideia com ele (fazer dele seu Pirlo). Tinha muitos contras mesmo mas certamente o Sampaoli viu algo no que apostar nesse sentido. Sobre o que o Pedro disse “O caso que me refiro é que um cara ruim nunca será contratado por um clube de elite.” eu concordo em 99% das situações. O que me faz não concordar 100% é a contratação do Douglas pelo Barcelona. Inexplicável.

          • Porém, no estágio atual, Ganso prejudicar mais do que somar está sendo mais culpa do treinador do que seria de quem “estudou” a contratação. Está claro que Paulo Henrique soma próximo da área rival e prejudica perto da base da jogada.

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*