O avanço continua travado

O Everton está sem rumo. Apenas no mercado de transferências europeu recém-finalizado, o clube inglês desembolsou aproximadamente 160 milhões de euros para fechar as aquisições de Gylfi Sigurdsson, Jordan Pickford, Michael Keane, Davy Klaassen, Nikola Vlasic, Henry Onyekuru e Sandro Ramírez, nomes estes listados em ordem decrescente quanto ao valor pago. Uma informação que por si só seria normal, até pelo nível potencial e a idade reduzida de vários destes jogadores ademais da altíssima inflação atual em torno do futebol inglês. Entretanto, logo se faz necessário refletir sobre tais decisões quando os Toffees começam a temporada 2017-18 exatamente como terminaram a última campanha: sofrendo golpes duríssimos contra os seis principais candidatos ao título e vencendo somente as outras equipes. Afinal, vale tamanho investimento para andar em círculos?

Considerando apenas o ano de 2017 de forma isolada, o Everton realizou nove jogos contra os seis maiores candidatos a vencer a Premier League e ganhou só um.

A resposta para a pergunta do parágrafo anterior é óbvia, mas então por que as coisas não mudam em Goodison Park? Basicamente, a solução deste questionamento está na imagem do experiente treinador holandês Ronald Koeman. Se no Southampton as ideias simples do neerlandês eram o suficiente em um cenário de exigência mínima, em Merseyside o material à disposição pede mais do comandante de 54 anos. Sem ir mais longe, no sul do país muitas vezes Koeman armou um sistema ofensivo baseado nas ligações diretas para o atacante italiano Graziano Pellè enquanto os habilidosos mediapuntas Sadio Mané e Dusan Tadic cuidavam dos rebotes para acelerar o jogo. Algo inteligentíssimo pelas características do então modesto elenco, mas um plano demasiadamente curto para ser aplicado, por exemplo, em praças onde o objetivo deveria ser jogar a Liga dos Campeões.

Na prática, este plano de ataque em especial jamais ganhou tanto espaço no Everton de Ronald, embora talvez fosse até melhor que isto tivesse ocorrido. Porque, independentemente do esquema tático escolhido, os Blues atacam de maneira bastante pobre e com movimentos descompensados: já a partir da saída de bola as engrenagens não são bem definidas, constantemente faltando a aproximação básica para armar um circuito de passes envolvente. Dentro disto, peças centrais na criação como Ross Barkley na temporada passada ou o veterano Wayne Rooney nesta têm de se desgastar o dobro para entregar pequenas e descontínuas doses de fluidez. Portanto, a qualidade individual superior ou os lampejos de coletividade até salvarão a equipe em compromissos domésticos contra os pequenos. Porém, o conjunto de Liverpool segue irregular e incapaz de competir no alto nível local.

O calendário do Everton nas primeiras rodadas da Premier League realmente está sendo duríssimo, mas os quatro duelos iniciais já serviram para apontar as reais pretensões do time na liga.

A percepção também se mantém quando o assunto é defender, já que em muitas ocasiões Koeman ordena marcações individuais sobre os craques adversários, alcançando o sucesso em raras oportunidades – geralmente se tratam de encaixes rústicos sem a sofisticação necessária para triunfar no futebol atual –. Ou então, mesmo sem estas perseguições, os Toffees não se agrupam bem para fechar as opções de passe do rival, deixando os mediocentros Idrissa Gueye e Morgan Schneiderlin com uma enorme área de terreno para cobrir. Desta forma, tem sido relativamente fácil para os grandes chegar até a baliza defendida por Pickford, que foi superado seis vezes nos duelos recentes ante Manchester City, Chelsea e Tottenham. A sétima colocação pode ser o prêmio perfeito para outros clubes, mas é o momento de ir além para o Everton. Talvez seja impossível com Ronald.

FOTO: Premier League

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