Os novos laterais de Emery

Marca de seu trabalho como treinador, Unai Emery é um comandante que utiliza os laterais como peças essenciais em seus projetos. Partindo para o seu segundo ano como treinador do Paris Saint-Germain, os nomes disponíveis na posição para o espanhol deixavam mais dúvidas do que certezas e nunca foram uma unanimidade para Emery. No lado direito, o costa-marfinense Serge Aurier possui um potencial tremendo, mas segue sem conseguir sincronizar suas pernas com a cabeça enquanto o belga Thomas Meunier não passou de atuações regulares. Já no setor esquerdo, Laywin Kurzawa teve o seu futebol freado por problemas físicos que o perseguiram do início até o fim do calendário e o brasileiro Maxwell, apesar da inteligência digna de um criativo, não pôde oferecer tudo que o Paris necessitou por conta da idade avançada.

É neste contexto e com a necessidade de apresentar um futebol que esteja de acordo com os investimentos que o PSG confirmou as contratações de Daniel Alves e Yuri Berchiche. O espanhol, que se afirmou na lateral-esquerda da Real Sociedad de Eusebio Sacristán como peça ofensiva importante através de sua capacidade física que foi utilizada como argumento para se projetar ao ataque constantemente, para superar desafios individuais em fase defensiva e inclusive para demonstrar capacidade de drible em condução, chega para competir pela titularidade com Kurzawa. Já o veterano brasileiro, após completar uma reta final da passada edição da Liga dos Campeões em um nível espetacular com a Juventus, é um jogador que apresenta garantias futebolísticas imensas para a equipe apesar da idade avançada.

Sendo um lateral autossuficiente em termos associativos, cada toque do brasileiro significa uma possibilidade de sucesso jamais vista na capital francesa e, considerando que terá ao seu lado jogadores que falam um mesmo idioma futebolístico como o interior italiano Marco Verratti e o extremo argentino Ángel Di María, o Paris Saint-Germain terá condições de estabelecer mecanismos e apresentar argumentos para competir contra os melhores conjuntos do continente. Por outro lado, diante do passado recente de Dani Alves, adaptado como extremo e respaldado pela organização defensiva da Vecchia Signora de Massimiliano Allegri, resta a dúvida de qual será a posição do lateral baiano dentro dos planos de Emery. Mesmo assim, não há ninguém melhor que Unai para lidar com os poucos questionamentos e tantas certezas.

FOTO: Paris Saint-Germain

3 Comentários

  1. Até acima do conteúdo futebolístico em si – que é vasto -, a chegada de Daniel Alves significa um plus mental e competitivo absurdo em se tratando de Liga dos Campeões (o grande objetivo real do PSG desde que criou esse projeto).

    É um jogador que decide eliminatória europeia e te afasta das derrotas, algo importantíssimo para o elenco e para Emery após a virada do século sofrida ante o Barcelona.

    A minha dúvida só está quanto à área de atuação de Dani: mais aberto, como Unaí prefere tratar seus laterais, ou terá liberdade para realizar os movimentos interiores? E esse ponto me parece chave.

    • Se formos considerar o futebol praticado pelo PSG na reta final da temporada passada, Daniel deve começar mais ativo e profundo pela direita.

      Não foram poucas as tentativas de Emery em tentar melhorar a atividade do time por dentro com Verratti e Di María (terminando a temporada em um nível absurdo), então acho que deve seguir por aí num primeiro momento.

      E sobre a ambição do PSG, já tinham deixado clara essa ideia de encontrar um líder futebolístico com o desejo de contratar Pepe. Com o português preferindo o Besiktas, foi extremamente oportuno, para dizer o mínimo, assinar com Dani Alves.

      • Dani Alves, ainda nos tempos de Barcelona, demonstrou que já não conta com pernas para ser profundo. Tanto que sua última grande versão foi assumindo funções interiores, com Rakitic sendo a peça profunda pela direita. No PSG, vejo Emery estabelecendo o lado forte pela direita com Alves, Verratti e Di María (assumindo as funções de quarto meio-campista) se escalonando em saída de bola.

        Excluindo o Real Madrid por razões obvias (seus jogadores são os melhores), a conexão Alves-Verratti me parece o melhor que se pode ver para eliminar pressões em saída de bola no continente. Isto sem considerar Ángel. Ademais, Yuri/Kurzawa e Draxler (depois de assumir as funções de quarto meio-campista quando chegou, passou a estar mais relacionado com os desequilíbrios no último terço com a recuperação de Di María) pela esquerda me parecem os nomes ideais para profundizar e acelerar o fluxo ofensivo gerado pela direita. Yuri é uma bomba física e Julian possui uma condução muito ameaçadora.

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*