Receita do sucesso de Ranieri

Entre dezembro de 2016 e o fim da temporada passada, o Nantes de Sérgio Conceição foi uma das sensações do Campeonato Francês. O curto trabalho do jovem treinador português no comando dos modestos Canaris conduziu a equipe da zona de rebaixamento até uma posição confortável na tabela de classificação, se tornando um exemplo de como alcançar uma notável competitividade com recursos limitados a partir de ideias claras, algo que também aconteceu com o Nice do experiente suíço Lucien Favre e o Guingamp de Jocelyn Gourvennec/Antoine Kombouaré dentro dos últimos anos do futebol na França. O sucesso do luso causou tanto impacto que um gigante de seu país como o Porto não demorou em lhe oferecer um banco de reservas de maior prestígio, com o conjunto do noroeste apostando no veteraníssimo italiano Claudio Ranieri como seu substituto.

Dentro disto, o responsável por dirigir uma das maiores façanhas do futebol moderno (o título do Leicester City na Premier League em 2015-16) já ofereceu sua identidade tática ao Nantes em poucos meses de campanha e está colhendo os frutos de sua filosofia: Eu digo sempre: antes de tudo, fechemos a porta de nossa casa. Se você não fecha a porta, os ladrões entram e roubam tudo. A partir do momento em que você fecha, existe a possibilidade de decorar e organizar como quiser. Os jogadores entenderam as coisas, mas ainda seguimos cometemos muito erros”. Em entrevista recente, Ranieri descreveu o momento recente de seus comandados com uma metáfora, novamente utilizando um plano semelhante ao que propiciou o absoluto milagre em território inglês em sua segunda passagem pela França como treinador após duas temporadas no Mônaco.

Com Claudio, os Canaris estão completando seu melhor início de campeonato em 19 anos, ocupando o quinto lugar da classificação após 11 rodadas. Sobre o terreno de jogo, a ideia é simples: entregar a posse de bola ao adversário e recuar as linhas de seu 4-4-2 buscando a melhor compactação possível. Neste sentido, se trata de um time mais conservador e menos agressivo em comparação com o que foi demonstrado durante a etapa com Conceição, com o primeiro objetivo passando sempre pela solidez defensiva, com os nove gols sofridos em 11 jogos (possui a terceira melhor defesa em termos numéricos da liga, atrás apenas de Montpellier e Paris Saint Germain) representando bem a ideia coletiva e os motivos pelos 23 pontos somados. Por outro lado, a grande diferença em relação ao Leicester está em que Ranieri desta vez não conta com estrelas ofensivas.

Dentro deste cenário, o italiano vem priorizando distanciar os rivais da baliza defendida pelo experiente goleiro romeno Ciprian Tatarusanu, algo que explica a presença de um interior como o jovem Valentin Rongier nas funções de mediapunta ou do lateral-esquerdo brasileiro Lucas Lima na linha de meio-campistas, sempre consciente de que os recursos limitados dos Canaris na hora de atacar obrigam uma máxima rentabilidade de seus gols. É desta forma que se entende que o Nantes esteja precisando de apenas uma anotação para somar uma média superior aos dois pontos conquistados, com a bola parada também adquirindo um peso importante neste aspecto, balançando as redes contrárias em quatro oportunidades desta forma. Ademais, a claridade do plano está impedindo que a pior média de acerto de passes por jogo do campeonato seja um problema.

FOTO: FC Nantes

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