Roque Mesa fora das Ilhas Canárias

A trajetória do meio-campista espanhol Roque Mesa no futebol é francamente anormal. Tendo defendido diversos clubes na carreira, o baixinho de 1,71m jamais havia gerado tanta expectativa até completar 25 anos e encaixar de uma vez por todas no também pequenino Las Palmas – inclusive, em uma posição muito mais recuada em relação ao que realizava no passado já que deixou de ser mediapunta para estrondosamente virar mediocentro –. Em um mundo tão globalizado onde jogadores são mapeados e negociados por altos valores ainda adolescentes, Roque só movimentou os primeiros milhões de euros há algumas semanas, quando acertou sua ida para o Swansea City. A partir de agora, os olhares irão recair sobre a acomodação do atleta, cujo futebol parece atrelado à cidade natal, a uma nova e muito diferente cultura futebolística.

Quanto ao que Mesa pode acrescentar aos Jacks do treinador Paul Clement, a resposta é simples e a aquisição galesa parece espetacular. Em busca de uma equipe mais relacionada ao controle com a posse de bola desde que assumiu o comando em janeiro deste ano, Paul terá em Roque um nome quase autossuficiente capaz de solucionar a saída de jogo com uma enorme noção de espaço e uma interessante capacidade de conduzir o esférico antes de oferecer os seus habituais passes verticais. Levando em conta os espaços cedidos na Premier League por praticamente todos os times, o último quesito tende a ser especialmente bem aproveitado. Fora, é claro, a extrema competência do ex-Levante quando se trata de desarmar ou corrigir os erros de posicionamento defensivos dos companheiros. Dentre os possíveis alvos de pouco renome, o Swansea assegurou um dos mais completos.

FOTO: Swansea City

2 Comentários

  1. De acordo com o que Roque Mesa pode somar ao Swansea, especialmente com a bola. Porém, se trata de um jogador feito para o futebol espanhol e que sobreviveu muito bem como mediocentro em um time no qual o seu interior mais físico, Vicente Gómez, estava mais relacionado com as chegadas desde segunda linha do que em compensar uma possível debilidade de Roque sem a bola. Na Inglaterra, até que se prove o contrário, me parece impossível que Mesa jogue como peça mais recuada do meio-campo. Se trata quase de outro esporte.

    Dito isto, talvez mais que sua capacidade passadora do Las Palmas de Quique Setién, o maior impacto de Roque Mesa pode estar nas conduções para superar linhas rivais que mostrou com Paco Herrera.

    • Embora você tenha razão, creio que nesse primeiro momento Mesa será sim o homem mais recuado do meio-campo – a saída imediata de Jack Cork para o Burnley e os tipos de elogios do treinador indicam um pouco isso.

      Com o tempo, a tendência óbvia é que Clement tome providências a respeito (talvez até fazê-lo atacar como camisa 5 e defender como interior). Isso só o andamento da temporada vai responder.

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