Thomas para dominar em Roma

Nesta terça-feira, mesmo tratando-se apenas da primeira rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, Roma e Atlético de Madrid protagonizaram um duelo importantíssimo para os interesses de ambos dentro da principal competição de clubes do futebol mundial. Na capital italiana, depois de um primeiro tempo marcado por duas fases de superioridade distintas, os comandados do argentino Diego Pablo “Cholo” Simeone fizeram méritos suficientes para acabar conseguindo os três pontos durante os 45 minutos finais, mas esbarraram no goleiro brasileiro Alisson e em algumas grandes ocasiões desperdiçadas, mantendo o 0-0 definitivo. Fora de casa, o início dos Colchoneros foi bastante potente, com outro Tupiniquim como o lateral Filipe Luís e o extremo Koke assumindo peso ofensivo pelo lado esquerdo enquanto o interior Saúl Ñíguez ofereceu desequilíbrio partindo do setor contrário.

Neste cenário, o Atlético conseguiu estabelecer suas possessões em campo rival e acabou suas tentativas ofensivas de uma forma que obrigou que a Roma começasse seus ataques desde zonas recuadas. Em um primeiro momento, a equipe dirigida por Eusebio Di Francesco não foi capaz de alcançar o terreno adversário com a bola, algo que concretou o domínio visitante. Porém, com o passar dos minutos os Giallorossi começaram a avançar metros através das conduções dos laterais Bruno Peres e Aleksandar Kolarov e também dos extremos Grégoire Defrel e Diego Perotti, vivendo seus melhores minutos no duelo por mais que não se tratasse de um controle total da situação. Sem ir mais longe, os dois times estiveram próximos de marcar o primeiro gol no estádio Olimpico durante esta fase. Por outro lado, tudo se alterou no início do segundo tempo, com um nome estando em destaque.

Por mais que sua corpulência indique outra coisa, o meio-campista ganês Thomas Partey possui uma interessante capacidade passadora, desta vez sendo capaz de aproveitar as facilidades oferecidas pela Roma para dinamizar as possessões do conjunto de Madrid. Em geral, os interiores locais, o belga Radja Nainggolan e o holandês Kevin Strootman, não pressionaram o próprio Thomas e seu acompanhante no meio-campo visitante (primeiro o veterano Gabi Fernández e depois Koke) e nem ajudaram o experiente mediocentro Daniele De Rossi na hora de cortar linhas de passes, com Partey se responsabilizando por diversos passes verticais que giraram os jogadores mandantes e colocaram os Rojiblancos no últimos metros do gramado. A consequência disto foi dupla: o Atlético passou a criar ocasiões para marcar o 0-1 e impôs sua pressão alta em terreno contrário, deixando o rival sem saída.

Outras duas peças destacáveis neste período foram Saúl e Ángel Correa. Ambos representaram os principais responsáveis pelos desequilíbrios criados pelos Colchoneros na defesa adversária e também apareceram em zonas de remate dispondo de oportunidades, com especial destaque para o impacto causado pelo jovem avançado argentino saindo do banco de reservas e para a grandeza refletida em gestos técnicos deliciosos do interior espanhol em dias importantes. Porém, com Alisson realizando grandes intervenções e com o Atlético também acusando a discreta versão oferecida pelo atacante francês Antoine Griezmann, que deveria ter sido o responsável por transformar a superioridade da equipe no jogo em vantagem no marcador, começou a faltar gasolina para os visitantes darem continuidade ao abafa durante os 20 minutos finais. Isto possibilitou uma pequena reação da Roma.

Já atuando com cinco defensores por conta do ingresso do zagueiro argentino Federico Fazio para buscar reforçar seu sistema ofensivo contra o absoluto assédio rival, Di Francesco voltou a ver como Kolarov e Perotti ofereceram altura ofensiva para suas possessões nos instantes derradeiros. Entretanto, ainda assim quem esteve mais próximo de conseguir o gol da vitória foi o Atlético de Madrid, principalmente em uma chance desperdiçada de maneira inacreditável por Saúl Ñíguez após a cobrança de um escanteio já nos acréscimos. De qualquer forma, as melhores sensações e o melhor sabor gerado pelo resultado definitivo acabou pertencendo aos Rojiblancos, que estão completando outro início de temporada irregular no qual seu estilo de jogo parece ainda indefinido. Se a ideia de Simeone é recuperar um sistema mais associativo, Thomas Partey foi o grande vencedor da noite.

FOTO: Atlético de Madrid

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