Um jogaço com cinco fases

Nesta quarta-feira, Napoli e Manchester City protagonizaram 90 minutos absolutamente fantásticos no estádio San Paolo em um duelo que esteve marcado pelas constantes mudanças na direção dos acontecimentos e, da mesma forma que aconteceu há 15 dias na Inglaterra, terminou favorecendo os comandados do espanhol Pep Guardiola, algo que complicou muitíssimo as aspirações classificatórias do conjunto Partenopei dentro do grupo F da Liga dos Campeões – restando duas rodadas, a equipe dirigida pelo veterano Maurizio Sarri possui seis pontos de desvantagem para o segundo colocado Shakhtar Donetsk, sendo que o Citizens asseguraram sua presença nas oitavas-de-final com o triunfo –. Porém, começando pelo princípio, os 20 minutos iniciais estiveram definidos por um autêntico recital dos mandantes, que alcançaram um nível simplesmente impressionante.

Se o duelo no Etihad Stadium esteve caracterizado por como Guardiola conseguiu o domínio em um primeiro momento através das vantagens estabelecidas por sua saída de bola elaborada, desta vez Sarri realizou ajustes para neutralizar as aparições interiores do lateral-esquerdo Fabian Delph, que acabou sendo obrigado a realizar as funções típicas de um jogador de sua posição. Simplesmente asfixiando o City através de sua pressão alta, o Napoli também alcançou um alucinante nível de inspiração técnica durante este período, com o triângulo formado pelo lateral argelino Faouzi Ghoulam, o interior eslovaco Marek Hamsík e o extremo Lorenzo Insigne pela esquerda, contando também com as aproximações do atacante belga Dries Mertens, deixando combinações impressionantes em espaços reduzidos. Sem ir mais longe, foi isto que se viu no gol do italiano.

Encontrando prêmio para o seu fenomenal arranque, porém, os locais acusaram a insustentabilidade de seu ritmo. Ao final, os níveis de intensidade, concentração e inspiração do Napoli haviam sido tão altos que não era possível dar continuidade ao futebol apresentando até então, especialmente considerando o acerto técnico que lhe permitiu terminar diversas jogadas que fizeram os Sky Blues iniciarem seus ataques sempre com o goleiro brasileiro Ederson Moraes. Desta forma, do mesmo jeito que os instantes iniciais foram de um autêntico vendaval Azzurri, a resposta do Manchester City aconteceu de uma maneira similar, com o duelo passando a ser disputado na metade do terreno que foi defendida pelo veterano goleiro espanhol Pepe Reina, onde os visitantes impuseram seu agressivo trabalho sem a bola para estabelecer uma clara fase de domínio com o esférico.

Com protagonismo para o jovem extremo-direito Raheem Sterling na hora de atacar, o time de Guardiola conseguiu gerar a inércia positiva que o levou ao gol de empate marcado pelo zagueiro argentino Nicolás Otamendi, esteve muito próximo da virada ainda antes do intervalo e acabou alcançando o 1-2 com o central John Stones logo no retorno para o segundo tempo, sendo que os lances de bola parada (em especial através de escanteios) do conjunto de Manchester superaram com claridade a defesa por zona de Sarri. Entretanto, a incontestável necessidade de vitória obrigou o Napoli a reagir. Mesmo com a ausência de Ghoulam, uma peça absolutamente capital em sua fase ofensiva, os mandantes foram capazes de girar a direção dos acontecimentos outra vez, voltando a impor sua pressão alta e contando com uma brutal versão de Insigne para se aproximar do gol.

Inclusive, não demorou para que o Napoli chegasse ao empate em um pênalti convertido pelo mediocentro brasileiro Jorginho. Por outro lado, a partir de então a partida entrou em um cenário mais aberto, com as duas equipes acusando o desgaste gerado pelo esforço prévio em todos os sentidos na hora de controlar os pequenos detalhes. Neste momento, enquanto a insistência de Lorenzo seguiu presente e outra brutal demonstração de qualidade como atacante de Mertens só não acabou no gol do extremo-direito espanhol José María Callejón por conta de um milagre de Ederson, as pernas do jovem ponta-esquerdo alemão Leroy Sané marcaram a diferença, com uma imperial arrancada do antigo jogador do Schalke 04 em um contra-ataque terminando na anotação do atacante argentino Sergio “Kun” Agüero que recolocou os visitantes em vantagem no marcador.

Finalmente, o último ¼ de hora na Itália foi protagonizado pelo controle dos acontecimentos através da posse de bola por parte do Manchester City, que atuou com as necessidades e com o cansaço do adversário para juntar passes no meio-campo sem perder ameaça em profundidade através da presença de um grande Sané, sendo que o 2-4 definitivo marcado por Sterling já nos acréscimos demorou para se concretizar considerando a devastação anteriormente causada por Leroy. Depois de 180 minutos de uma batalha épica entre Pep Guardiola e Maurizio Sarri, a verdade é que a competitividade do conjunto inglês sai francamente reforçada dos duelos contra um rival sensacional. Já o Napoli precisará de um pequeno milagre para que suas ótimas sensações em termos de jogo não terminem sem o prêmio de estar entre as 16 melhores equipes do continente.

FOTO: Manchester City

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