Uma pedra para Conte polir

Durante a temporada 2016-17, Antonio Conte pouco pôde variar em suas escalações iniciais no Chelsea. Longe de contar com o melhor elenco da Inglaterra e, ademais, sem as desgastantes competições europeias no calendário, o treinador italiano repetiu seu esqueleto base várias e várias vezes. Por um lado, se for considerado o quanto isto ajudou o conjunto a jogar de memória e consolidar um corpo tático, se tratou de algo positivo. Por alguns outros, nem tanto: se somados, os zagueiros César Azpilicueta, David Luiz e Gary Cahill, por exemplo, foram os campeões da Premier league com média de 35 partidas como titulares. Pensando nisto e tendo agora as semanas mais ocupadas por conta da classificação para a Liga dos Campeões, os Blues não demoraram a tornar oficial o acerto com o defensor alemão Antonio Rüdiger.

Porém, o fator negativo da transação se concentra no fato de que o ex-jogador da Roma ainda necessita uma boa dose de polimento para virar um guerreiro de Conte. De cara, pela lentidão nas reações e a pouca capacidade de correção defensiva de forma veloz, se pode descartar Toni em uma vaga tão relacionada a isto como é a do brasileiro David Luiz. No esquema londrino de três zagueiros, sobram, então, as duas posições mais abertas. Neste caso, embora os caminhos apontem para tal em um futuro próximo, também se pode usar o argumento anterior para afirmar que vê-lo substituir Azpilicueta pela direita seria no mínimo um risco: o espanhol é frequentemente usado nas coberturas de David e Cahill, sendo Rüdiger demasiadamente pesado para realizar isto. Mas, para César voltar a ser lateral, há chance de acontecer.

Por fim, há ainda uma última opção – a melhor delas –. Pois definitivamente o melhor encaixe visando o atleta nascido em Berlim seria no lugar de Gary Cahill pela beirada esquerda, onde teria suas fragilidades resguardadas e as qualidades potencializadas ao máximo. Mesmo a esquisita tendência ofensiva do germânico (há muita vontade e coragem, mas pouquíssimo talento para tal) estaria em uma zona do campo mais propícia e menos arriscada. O problema neste caso é tirar o capitão depois de um ano completamente favorável onde o próprio até se reinventou com o intuito de seguir competindo em altíssimo nível. O normal é não ocorrer. Sendo assim, a contratação do campeão da Copa das Confederações 2017 resulta lógica em um primeiro momento, mas extrair a sua excelência dependerá que ele ou Antonio Conte mudem a postura.

FOTO: Chelsea FC

2 Comentários

  1. Ufff, Rüdiger me parece encaixar maravilhosamente bem no sistema do Chelsea. Desde logo muito melhor do que em um sistema com apenas dois zagueiros. Me parece o perfil ideal para jogar por um dos costados. Pode não ser o defensor mais ágil, mas possui as pernas para correção em campo aberto e uma energia que encaixa muito bem com a Premier League.

    • Simplesmente não enxergo um Chelsea seguro nos primeiros meses com Cahill-David Luiz-Rüdiger na defesa. Ademais do citado, o próprio entendimento tático do alemão quanto às coberturas me parece baixíssimo – e no fim das contas, pela velocidade e disciplina na execução, Conte usava até mais Azpilicueta que David para tal.

      Também por isso o lado esquerdo do Chelsea foi ganhando força ofensiva ao longo dos meses, com Cahill sendo até mais responsável que Azpi pela saída de bola várias vezes (se o Chelsea saísse com o espanhol e perdesse a bola, seria duríssimo para o inglês correr para trás e corrigir).

      Isso sim, vejo em Conte a imagem necessária para tornar Toni menos degradante ao sistema. Se o italiano conseguiu fazer de Matic e Kanté uma dupla de meio-campistas complementar, também pode isso.

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*